segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Sobre a Fosfateira



Segundo o Relatório de Impacto Ambiental – RIMA, o objetivo da IFC - Indústria de Fosfatados Catarinense Ltda. é de implantação de um Complexo de Fabricação de Superfosfato Simples (SSP), incluindo extração de minério fosfático e fabricação de ácido sulfúrico, duas principais matérias-primas para fabricação de SSP.
No final da década de 1980 foram realizados os primeiros estudos ambientes referentes ao PROJETO ANITÁPOLIS, estes estudos foram feitos pela empresa Prominer Projetos S/C Ltda. A fase atual do planejamento do PROJETO ANITÁPOLIS iniciou-se em 2003, com a definição da parceria entre Bunge e Adubos Trevo (atualmente Yara).
O empreendimento, denominado PROJETO ANITÁPOLIS, está previsto para ser implantado na zona rural de Anitápolis, município integrante da região da Grande Florianópolis, na micro-bacia do rio dos Pinheiros, bacia hidrográfica do rio Tubarão, entre as seguintes coordenadas geográficas:

27°48’00” e 27°52’00” – latitude sul
49°04’00” e 49°07’00” – longitude oeste

As principais atividades envolvidas no projeto são as seguintes:

- Lavra de minério fosfático;
- Disposição de estéril num depósito de estéreis;
- Britagem e moagem do minério;
- Concentração do minério por flotação (separação via úmida do minério e rejeito);
- Disposição dos rejeitos da concentração em bacias de decantação;
- Fabricação de ácido sulfúrico com utilização de enxofre importado, transportado via rodoviária do porto de Imbituba - SC;
- Fabricação de superfosfato simples (SSP), a partir da reação do ácido sulfúrico com concentrado fosfático, envolvendo processos de cura e granulação;
- Expedição de SSP para Lages - SC via rodoviária para distribuição;

Dados principais de consumo e produção projetados são os seguintes:

- Produção de concentrado fosfático - 300.000t/ano
- Consumo de enxofre a granel - 66.000t/ano
- Produção de ácido sulfúrico - 200.000t/ano
- Produção de superfosfato simples - 500.000t/ano

Estão previstos 1.250 empregos diretos no pico da obra de implantação, e 423 empregos diretos e 1.300 empregos indiretos na operação do empreendimento.

As áreas de ocupação previstas para a implantação do projeto, que abrangem mina, barragens e bacias de rejeitos, área industrial, infra-estrutura e depósito de estéreis totalizam 360,5 ha, sendo 106,7 ha para a fase de implantação, e de 253,8 ha a serem ocupadas na fase de operação no período de vida útil do projeto, estimada em 33 (trinta e três) anos.
A supressão de vegetação nativa, em diversos estágios de regeneração, será de 56,6 ha na implantação do projeto, e uma expectativa de supressão de 221,7 ha distribuída em toda fase de operação do projeto. Está proposta a averbação de 400 ha de Reserva Legal, sendo 48 ha de Áreas de Preservação Permanente – APP’s, e 352 ha, ou 20% da propriedade, fora de APP’s.



                            Fig. 1 – Áreas de limpeza de vegetação na implantação

A IFC – Indústria de Fosfatados Catarinense Ltda. é uma empresa hoje formada pela associação paritária das empresas Bunge Fertilizantes S.A. e Yara Brasil Fertilizantes S.A., tradicionais fabricantes de fertilizantes que atuam no Brasil respectivamente há 100 e 75 anos.
O PROJETO ANITÁPOLIS contribuirá para atender a uma necessidade vital do país, que é tornar o produto de exportação mais competitivo dada a proximidade das áreas produtoras da região Sul aos portos de exportação e à substituição das importações por produto nacional, com recolhimento de impostos, geração de empregos e economia de divisas para o país.
Em relação ao Estado de Santa Catarina, a implantação do empreendimento representa o desenvolvimento de uma região cada vez mais carente de empregos, com atividades rurais predominantemente de subsistência, onde se verifica um processo continuado de emigração da população para outras regiões do Estado e do País.



                                           Fig. 2 – Estimativa de volume de resíduos sólidos na implantação

Os reflexos do PROJETO ANITÁPOLIS também serão significativos na economia dos principais municípios envolvidos, como Anitápolis e Lages, além de incrementar o movimento do Porto de Imbituba, estratégico, mas com pouca procura pelas indústrias do Estado devido à sua distância dos principais pólos industriais.



Fig. 3Vista panorâmica da área da IFC, onde afloram rochas graníticas e alcalinas que  constituem o Complexo Alcalino e onde se pretende a implantação do PROJETO ANITÁPOLIS.


Referências:

Caruso JR. Estudos Ambientais Ltda e Prominer Projetos S/C Ltda. Estudo de Impacto Ambiental. Volume VI – RIMA, São Paulo, 2007.
Comitê da Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar; UNISUL e UFSC. Parecer Técnico sobre a Fosfateira de Anitápolis. Tubarão, 2009.

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