Os processos químicos do
projeto de Anitápolis podem gerar riscos à saúde da população que vive na
região da área da mina.
A afirmação é do estudo da
engenheira química e PhD em Química pela Universidade Federal de Santa Catarina
Sônia Corina Hess feito a pedido do Ministério Público Federal (MPF) e da
Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa.
A especialista afirma que,
nas fosfateiras, é comum ocorrer vazamento de gases para a atmosfera,
decorrentes da produção do ácido sulfúrico, que pode resultar em chuva ácida.
— Além da extração do
fosfato, também será construída uma fábrica de fertilizantes com produção de
ácido sulfúrico e ácido fluorídrico, substâncias perigosas — alerta Sônia.
De acordo com o Estudo de
Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima) serão gerados
197 mil toneladas de ácido sulfúrico por ano, armazenados em três tanques de
2,5 mil metros cúbicos. A Secretaria do Estado da Saúde afirma que o Sistema
Único de Saúde (SUS) não tem como suprir a demanda no atendimento nos
municípios da região, que poderá ser afetado pela mina.
Entenda o que a chuva ácida pode
causar
A água de um lago em condições naturais tem o pH em
torno de 6,5 – 7,0, podendo manter uma grande variedade de peixes, plantas e
insetos, além de manter animais e aves que vivem no seu entorno e se alimentam
no lago. O excesso de acidez na chuva pode provocar a acidificação de lagos,
principalmente aqueles de pequeno porte. O pH em torno de 5,5 já pode matar
larvas, pequenas algas e insetos, prejudicando também os animais que dependem
desses organismos para se alimentar. No caso do pH da água chegar a 4,0 – 4,5,
já pode ocorrer a intoxicação da maioria das espécies de peixes e levá-los até
a morte.
O solo também pode ser acidificado pela chuva,
porém alguns tipos de solo são capazes de neutralizar pelo menos parcialmente a
acidez da chuva por causa da presença de calcário e cal (CaCO3 e
CaO) natural. Os solos que não têm calcário são mais suscetíveis à
acidificação. A neutralização natural da água de chuva pelo solo minimiza o
impacto da água que atinge os lagos pelas suas encostas (lixiviação). Uma chuva
ácida provoca um maior arreste de metais pesados do solo para lagos e rios,
podendo intoxicar a vida aquática.
Um outro fator muito importante sobre a emissão de
SO2 é a formação de ácidos no corpo humano, a medida que
respiramos. Este ácido pode provocar problemas como coriza, irritação na
garganta e olhos e até afetar o pulmão de forma irreversível.
A emissão de NO2, que provém
principalmente da queima de combustíveis pelos carros também pode provocar
problemas respiratórios e diminuir a resistências do organismo à vários tipos
de infecções.
A acidez da atmosfera não só afeta aos seres vivos
como também pode danificar a superfície de monumentos históricos e edifícios
feitos de mármore (CaCO3 ) por causa da reação com o ácido.
Fig. 1 - Ciclo da Chuva Ácida
Referências:

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