terça-feira, 6 de novembro de 2012

Quatorze questionamentos levantados pelo Parecer Técnico feito pelo Comitê da Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar




Segundo o Parecer Técnico feito em 2009 o pouco tempo de avaliação da área onde será instalada a Fosfateira e a análise dos documentos liberados pela Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC) e pela FATMA, foi possível levantar questionamentos importantes e convincentes quanto à consistência técnica do(s) documento(s), como:

1. Aparentemente há excesso de adição de ácido sulfúrico ao minério concentrado;

2. como o EIA-RIMA cita a presença de fluorapatita na matéria-prima é prudente que se acrescente uma unidade fabril correspondente à retenção do flúor, dada a disponibilidade de aproximadamente 7.000 kg/dia de flúor;

3. tendo em vista que nada consta nos relatórios analisados sobre retenção de flúor e
a quantidade emitida é muito grande, exigindo a construção de uma fábrica adicional, questiona-se o conjunto do relatório;

4. entre os vários pontos considerados críticos no empreendimento em tela, podemos citar a interferência/impactos no leito do Rio dos Pinheiros, causados pela modificação do seu curso, em função de barramento antrópico, seja pela barragem de captação de água ou pelas barragens de rejeitos que são projetadas para serem executadas a partir, inclusive, do eixo do Rio dos Pinheiros, tendo seus lagos/lâminas d`água e de rejeitos cobrindo/atingindo suas margens numa grande extensão de área de vegetação nativa a ser sumariamente suprimida, culminando em diversos impactos de grande importância/relevância que afetará significativamente as propriedades físicas, químicas e, por consequência, alterações biológicas com reflexos na saúde humana;

5. as descrições relativas à climatologia - principalmente os dados concernentes à precipitação e às vazões dos rios - não são consistentes e/ou não representam períodos que possam caracterizar climatologicamente a região em foco. Portanto, não permitem chegar a conclusões seguras sobre a viabilidade do empreendimento;

6. no que diz respeito aos estudos e às análises da qualidade das águas superficiais, com foco no parâmetro Fósforo, destacam-se diversas inconsistências de dados/informações contraditórias de mesma origem e/ou fontes diferentes que versam sobre o mesmo parâmetro;

7. a FATMA liberou a Licença Ambiental Prévia – LAP - condicionando ao atendimento da legislação vigente e, porém, permitiu que fossem lançados efluentes com concentrações muito acima dos limites toleráveis, no entanto, não limita o excedente;

8. cabe destacar que as algas são sensíveis às concentrações de fósforo acima de 0,002mg/L. É importante frizar que, segundo o empreendedor, após a operação das atividades minerárias e industriais, a concentração de fósforo no Rio Braço do Norte, em 90%, do tempo, será menor ou igual a 0,37mg/L;

9. requerer a realização de novas campanhas de amostragem e análises físico-químicas das águas superficiais da região do empreendimento, a serem efetuadas por
instituições isentas;

10. os estudos - EIA-RIMA e os documentos disponibilizados/analisados por esta Câmara Técnica - se apresentam insuficientes/inconsistentes para emitir um parecer conclusivo sobre a viabilidade ambiental, no que tange aos recursos hidrogeológicos da Bacia Hidrográfica de competência deste Comitê de Bacia. Neste contexto, entendemos que sejam disponibilizados para o grupo os dados e as análises complementares referentes: a) Permeabilidade e erodibilidade do solo da região; b) Estratigrafia a montante e a jusante da barragem de rejeito - nível de lençol freático - e informações conclusivas quanto à alimentação do aquífero; c) estudos de correlações de aqüíferos fraturados da região;

11. é imprescindível a realização de estudos mais consistentes referente à natureza radioativa da rocha fosfática a ser lavrada/processada;

12. pelo que se depreende das análises, o empreendimento causará grandes prejuízos à flora e à fauna local e, em muitos pontos, será de forma irreversível. Assim sendo, se torna imprescindível que se realize novamente o diagnóstico de flora e de fauna em todas as estações do ano e se crie, após os estudos, as curvas do coletor para avaliar as eficiências das metodologias e do pesquisador;

13. recomenda-se que esse diagnóstico seja feito por um período de, no mínimo, 01 (um) ano e que seja utilizado um número maior de metodologias, do que as que foram utilizadas para a confecção do Relatório emitido pelo empreendedor em comento;

14. entende-se que somente com a utilização de metodologias variadas será possível um diagnóstico mais preciso a respeito da riqueza de espécies da área, através do monitoramento da flora e da fauna local, principalmente de espécies consideradas “guarda-chuvas”.

Cabe realçar, mesmo que sejam superadas as questões ambientais, o empreendedor deve revisar aspectos socioeconômicos ligados a empresas paralelas a serem instaladas, implicando aumento do significado econômico: Produção de fluorsilicato de sódio, usos do resíduo para aumento do teor de fósforo em adubos orgânicos, aplicabilidade desses materiais na produção orgânica de hortifrutigranjeiros, etc.
Alguns municípios captam água a jusante do empreendimento, tais como os Municípios de Braço do Norte e Tubarão, sugerindo a possibilidade de vir a sofrer, com isto, riscos relacionados a toxinas de algas e ao fluoreto, portanto, deveriam ter incentivos ligados às suas economias através de empreendimentos e/ou com retornos de tributos relacionados para mitigarem o(s) problema(s).
Seria aconselhável o escoamento dos produtos inerentes ao processo pela região, se houvesse melhorias no sistema viário e consequente contribuição na economia regional.
Cabe destacar que a melhoria no sistema viário contribuiria na consequente expansão do setor turístico regional, bem como na integração entre os municípios da Bacia.

Todas essas informações foram retiradas do Relatório de Parecer Técnico sobre a Fosfateira de Anitápolis.

Referências:

Comitê da Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar; UNISUL e UFSC. Parecer Técnico sobre a Fosfateira de Anitápolis. Tubarão, 2009.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Fosfateira e o Complexo Lagunar


A implantação da Fofateira em Anitápolis não causará danos somente no município, mas sim em muitos municípios da região. Por este motivo a Ong Montanha Viva entrou com uma liminar contraa instalação da Fosfateira. A ação envolve impactos ambientais na região rica em nascentes, que agrega rios que abastecem a Bacia Hidrográfica do Braço do Norte, do Rio Tubarão, e podem afetar 25 municípios.
Com essa liminar conseguiu-se parar o processo de instalação da fosfateira. Segundo a ação, em caso de rompimento das barragens de rejeitos (resíduos da fabricação de fertilizantes), poderá haver contaminação até mesmo no complexo lagunar, em Laguna.
Seis prefeituras ingressaram oficialmente na ação contrária ao empreendimento. A última foi Laguna, em 6 de outubro de 2010. O prefeito Célio Antônio (PT) teme pelos reflexos da fosfateira no complexo lagunar. "Pelo menos 2,5 mil famílias vivem da pesca aqui. Estou preocupado com o impacto que a mineração pode causar na nossa região", afirmou. 
 O complexo atingirá áreas de preservação permanente, além de estar situado entre o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e uma unidade de conservação federal- Campo dos Padres- que vem sendo gestada pela União, podendo atingir também, lagunas e área costeira.
Além do medo da contaminação das nascentes por meio dos rejeitos da fabricação de fertilizantes outra consequência que pode acarretar outros municípios é a chuva ácida que a emissão dos gases tóxicos podem causar (Ver postagens anteriores sobre a chuva ácida).

Referências:

Defensoria Pública da União. Instalação de Fosfateira em Anitápolis, na Grande Florianópolis, enfrenta impasse na Justiça Federal. Disponível em http://www.dpu.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2656:instalacao-de-fosfateira-em-anitapolis-na-grande-florianopolis-enfrenta-impasse-na-justica-federal&catid=34&Itemid=223. Acesso em 04 nov. 2012.

Consequências da barragem no Rio Pinheiros



Uma população é caracterizada pelo seu fundo genético, bem como pela frequência dos alelos que o compõem, frequências essas variáveis entre populações da mesma espécie.
Quando existe livre intercâmbio de genes entre as várias populações de uma espécie o fluxo genético mantém-se, mais ou menos, estacionário mas se este for interrompido, as populações vão acumulando diferenças genéticas, por mutação, recombinação genética e seleção.
Esta separação pode levar a uma situação que já não permita o cruzamento entre as populações. Nesse momento obtêm-se duas espécies diferentes, por isolamento reprodutor.
Este fluxo genético pode ser interrompido por um tipo de especiação evolutiva, como é o caso da especiação geográfica ou alopátrica.
Especiação geográfica ou alopátrica – surgimento de barreiras geográficas entre populações. Essas barreiras podem ser rios, montanhas ou podem ocorrer de forma antrópica, como estradas, barragens.
A existência de barreiras geográficas, como é o caso das barragens que serão construídas no Rio Pinheiros, isola as populações das espécies existentes naquele meio onde será implantada a barragem, podendo gerar polimorfismos intraespecíficos e divergências genéticas entre populações ao longo do tempo, além de impedir o fluxo gênico entre as populações. Os divisores de água podem estar influenciando a variabilidade genética das populações que não podem manter um fluxo gênico
 A alteração ou remoção destas barreiras poderia iniciar ou intensificar o fluxo gênico entre populações. Situações como estas permitem análises da variabilidade genética e inferência sobre fluxo gênico e divergência genética entre populações existentes.

O que sobrou da Fosfateira em Cajati, São Paulo.


Referências:

BITENCOURT, J. V. T. INFLUÊNCIA DE BARREIRAS GEOGRÁFICAS NA ESTRUTURA GENÉTICA DE POPULAÇÕES DE Aegla uruguayana Schmitt, 1942(Crustacea, Decapoda, Anomura). Santa Maria, RS, 2007.

PRIOLI, A. J; RENESTO, E; JÚLIO JR, H. F. Variabilidade e Estrutura Genética de Populações Naturais. Disponível em http://www.peld.uem.br/Relat2000/2_2_CompBio ticoGenetica.PDF. Acesso em 04 nov. 2012.
ROCHA, S. Tipos de Especiação. Disponível em http://www.simbiotica.org/es peciacao.htm. Acesso em 04 nov. 2012.

Barramento do Rio dos Pinheiros e suas implicações

No projeto da Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC), consta a execução de 02 (duas) barragens de rejeitos a serem construídas sobre o leito do Rio dos Pinheiros e avançando por suas margens.
Entre os vários pontos que se pode considerar críticos, no empreendimento em tela, podemos citar a interferência no leito do Rio dos Pinheiros causada pela modificação do seu curso em função de barramento antrópico, seja pela barragem de captação de água ou pelas barragens de rejeitos que são projetadas para serem executadas a partir (inclusive) do eixo do Rio dos Pinheiros, tendo seus lagos/lâminas d`água e de rejeitos cobrindo/atingindo suas margens numa grande extensão de área de vegetação nativa a ser sumariamente suprimida.
As atividades de construção do dique inicial da barragem de rejeitos a jusante e construção da barragem de captação de água industrial, além de serem consideradas aspectos significativos, apresentam, na sua fase de implantação, impactos de grande importância.
Pois, as mudanças de uso do solo implicarão, dentre outras, a alteração da topografia local, interrupção do Rio dos Pinheiros, supressão de vegetação nativa, aspectos estes que, dentre outros, redundarão em redução dos estoques de recursos naturais, perda do aspecto natural do Vale do Rio dos Pinheiros, perda de espécimes (indivíduos) da flora nativa, perda de habitats terrestres naturais, fragmentação de habitats terrestres e perda da fauna, além do impacto visual.
Na fase de operação, as atividades de disposição dos rejeitos, além de serem considerados aspectos significativos, apresentam impactos de grande importância. Pois, as mudanças de uso do solo implicarão, dentre outras, a alteração da topografia local, interrupção do Rio dos Pinheiros, supressão de vegetação nativa e o aumento das taxas de erosão, aspectos estes que, dentre outros, implicam impactos que redundarão em deterioração das propriedades físicas do solo, redução dos estoques de recursos naturais, perda do aspecto natural do Vale do Rio dos Pinheiros, perda de espécimes (indivíduos) da flora nativa, perda de habitats terrestres naturais, fragmentação de habitats terrestres, perda da fauna e perda de potencial de vestígios arqueológicos, além do impacto visual.
                    Estes mesmos aspectos enumeram impactos classificados pelo empreendedor como sendo de média importância, os quais implicarão, além dos impactos acima elencados, riscos de contaminação do solo, deterioração da qualidade das águas superficiais, perda de habitats aquáticos, criação de ambientes bênticos e interrupção da circulação de peixes do Rio dos Pinheiros (efeito barreira).

Esquema onde mostra a área de alagamento e onde será construí a barragem.



Referências:

Comitê da Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar; UNISUL e UFSC. Parecer Técnico sobre a Fosfateira de Anitápolis. Tubarão, 2009.

Algumas conseqüências da Chuva Ácida



Os processos químicos do projeto de Anitápolis podem gerar riscos à saúde da população que vive na região da área da mina.
A afirmação é do estudo da engenheira química e PhD em Química pela Universidade Federal de Santa Catarina Sônia Corina Hess feito a pedido do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa. 
A especialista afirma que, nas fosfateiras, é comum ocorrer vazamento de gases para a atmosfera, decorrentes da produção do ácido sulfúrico, que pode resultar em chuva ácida. 
— Além da extração do fosfato, também será construída uma fábrica de fertilizantes com produção de ácido sulfúrico e ácido fluorídrico, substâncias perigosas — alerta Sônia.
De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima) serão gerados 197 mil toneladas de ácido sulfúrico por ano, armazenados em três tanques de 2,5 mil metros cúbicos. A Secretaria do Estado da Saúde afirma que o Sistema Único de Saúde (SUS) não tem como suprir a demanda no atendimento nos municípios da região, que poderá ser afetado pela mina. 

Entenda o que a chuva ácida pode causar

A água de um lago em condições naturais tem o pH em torno de 6,5 – 7,0, podendo manter uma grande variedade de peixes, plantas e insetos, além de manter animais e aves que vivem no seu entorno e se alimentam no lago. O excesso de acidez na chuva pode provocar a acidificação de lagos, principalmente aqueles de pequeno porte. O pH em torno de 5,5 já pode matar larvas, pequenas algas e insetos, prejudicando também os animais que dependem desses organismos para se alimentar. No caso do pH da água chegar a 4,0 – 4,5, já pode ocorrer a intoxicação da maioria das espécies de peixes e levá-los até a morte.
O solo também pode ser acidificado pela chuva, porém alguns tipos de solo são capazes de neutralizar pelo menos parcialmente a acidez da chuva por causa da presença de calcário e cal (CaCO3 e CaO) natural. Os solos que não têm calcário são mais suscetíveis à acidificação. A neutralização natural da água de chuva pelo solo minimiza o impacto da água que atinge os lagos pelas suas encostas (lixiviação). Uma chuva ácida provoca um maior arreste de metais pesados do solo para lagos e rios, podendo intoxicar a vida aquática.
Um outro fator muito importante sobre a emissão de SO2 é a formação de ácidos no corpo humano, a medida que respiramos. Este ácido pode provocar problemas como coriza, irritação na garganta e olhos e até afetar o pulmão de forma irreversível.  
A emissão de NO2, que provém principalmente da queima de combustíveis pelos carros também pode provocar problemas respiratórios e diminuir a resistências do organismo à vários tipos de infecções.
A acidez da atmosfera não só afeta aos seres vivos como também pode danificar a superfície de monumentos históricos e edifícios feitos de mármore (CaCO3 ) por causa da reação com o ácido.

Fig. 1 - Ciclo da Chuva Ácida



Referências:

CAMPOS, V. Instalação de fosfateira em Anitapólis, na Grande Florianópolis, enfrenta impasse na Justiça Federal. Disponível em  http://diariocatarinense.clicrbs. com.br/sc/noticia/2010/10/instalacao-de-fosfateira-em-anitapolis-na-grande-floriano polis-enfrenta-impasse-na-justica-federal-3073032.html. Acesso em 04 nov. 2012.

  

Grupo Química Ambiental. Poluição Atmosférica & Chuva ácida. Disponível em  http://www.usp.br/qambiental/quemSomos.html. Acesso em 04 nov. 2012.

TRF4 mantém ação civil pública da DPU/SC contra fosfateira




Em 26 de abril de 2011 foi mantida, por decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), a ação civil pública da Defensoria Pública da União em Santa Catarina (DPU/SC) contra a instalação da Indústria de Fosfatados Catarinense Ltda. em Anitápolis, na Grande Florianópolis. A medida busca proteger a saúde de trabalhadores e moradores da cidade e de outros 17 municípios banhados pela bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, entre os quais Tubarão, Orleans, Braço do Norte, Capivari de Baixo e Jaguaruna.
 No texto, a DPU/SC solicita que seja suspenso qualquer procedimento de licença prévia, de instalação ou operação da fosfateira até a realização de estudo de avaliação de riscos à saúde humana, custeado pela empresa e de acordo com diretrizes do Ministério da Saúde. O documento pede também respeito ao resultado da avaliação, caso indique a inviabilidade de implantação da empresa na área. E, na hipótese de ser possível a instalação, que o poder público determine medidas compensatórias a serem pagas pela indústria. Entre elas estariam a construção de hospitais, postos de saúde e custeio de assistência farmacêutica.
Parecer técnico da engenheira e PhD em Química pela Universidade Federal de Santa Catarina, Sônia Corina Hess, aponta que substâncias indispensáveis para o empreendimento, como ácido sulfúrico, soda cáustica, amônia e ácido fluorídrico, além dos possíveis danos ambientais, podem ainda colocar em risco a sobrevivência da população local, além de aumentar a incidência de doenças respiratórias.
A DPU/SC enviou ofícios aos municípios a fim de constatar se estariam preparados para lidar com o aumento da demanda na área da saúde, uma vez que a empresa citou a capacidade de absorção de químicos no Estudo de Impacto Ambiental. Com exceção de Anitápolis, que tem interesse na fosfateira devido à ampliação da arrecadação de tributos, os representantes dos demais municípios afirmaram não terem condições de aumentar o atendimento e manifestaram-se contrários à responsabilidade de suprir os problemas de saúde advindos do empreendimento.
O Juiz Federal Sergio Eduardo Cardoso considerou que as questões relativas à saúde da população já estavam presentes em outras ações envolvendo a implantação da fosfateira e determinou a extinção da ação civil pública. A DPU/SC entrou com recurso, a decisão foi reformada pelo TRF4, e a ação civil pública terá prosseguimento.
Segundo o Defensor responsável pela ação, Gabriel Faria Oliveira, “a decisão do TRF4 diferenciou, como o fez a DPU, o bem jurídico meio ambiente e o bem jurídico saúde pública. É indispensável a Avaliação de Impacto à Saúde Humana antes da instalação do empreendimento e medidas compensatórias quando há indícios de danos à saúde da população. Nesse sentido, conseguiremos dar andamento ao processo para mostrar e evitar esses danos aos catarinenses”.



Referência:

 Defensoria Pública da União. TRF4 mantém ação civil pública da DPU/SC contra fosfateira. Diponível em http://www.dpu.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=4288:trf4-mantem-acao-civil-publica-da-dpusc-contra-fosfateira&catid=35.  Acesso em 01 out. 2012.

Parecer Técnico sobre a Fosfateira de Anitápolis



Este é um parecer técnico sobre a viabilidade ambiental do PROJETO ANITÁPOLIS -IFC na ótica dos recursos hídricos de competência do comitê de gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar.
Foi elaborada uma analise criteriosa de todos os documentos disponibilizado pela Indústria de Fosfatados Catarinense Ltda. [IFC].
O parecer técnico foi elaborado pela Câmara Técnica Projeto Anitápolis [IFC] - do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, e vários professores, de universidades como UNISUL e UFSC e especialistas,  tendo sua criação, por deliberação da Assembléia Geral deste Comitê de Bacia, no dia 09/06/2009, com o desígnio de fundamentar seu posicionamento acerca dos impactos ambientais que repercutirão nos recursos naturais/socioambientais, especialmente os hídricos, da Bacia Hidrográfica de abrangência e competência deste Comitê.
O trabalho realizado tem por finalidade subsidiar tecnicamente, mesmo que preliminarmente, a Diretoria deste Comitê de Bacia, bem como os seus 30 (trinta) Membros que o constitui, com o fito de balizar o posicionamento deste Comitê acerca do Projeto Anitápolis no que se refere, especialmente, aos recursos hídricos.
Este Parecer Técnico inclui uma descrição geral das características do empreendimento com foco nos aspectos relevantes e correlacionados com os recursos hídricos da Bacia Hidrográfica e suas implicações, além de documento protocolado pela ONG Montanha Viva requerendo o pronunciamento do Comitê de Bacia. Trata-se de uma petição da ONG Montanha Viva ao Ministério Público Federal onde um dos seus pedidos é de que fosse determinada " A manifestação expressa dos membros da Comissão Consultiva do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e do Complexo Lagunar, conforme previsão instituída no Art. 4º., do Regimento Interno e no Decreto nº 4.671, de 28 de agosto de 2006.”
Neste parecer foram listada quatroze (14) questionamentos sobre a instalação da Fosfateira em Anitápolis, incluindo recomendação sobre a flora e fauna. Mas o principal ponto do parecer foi o encontro de vestígeos de crime ambiental que foi encontrado na região onde a Fosfateira irá (?) ser implantada:
Segundo o Parecer Técnico do Comitê da Bacia (2009)  "  Contudo, na diligência técnica de vistoria efetuada no dia 28 de agosto de 2009, pela equipe da Câmara Técnica do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar que subscreve este parecer, ao contrário do que recomenda o relatório, presenciaram-se vestígios de um legítimo crime ambiental (poderia se dizer, qualificado) contra algumas araucárias. O procedimento criminoso chamado anelamento que consiste em descascar a base do tronco da araucária com a finalidade de obstruir os vasos condutores de seiva, até que a mesma seja disimada".

           
    Fig. 1 - Espécie Ameaçada de Extinção                                   Fig. 2 - ARAUCÁRIA secando pelo efeito do anelamento. 


 Fig. 3 - Procedimento de anelamento criminoso realizado na base do tronco das ARAUCÁRIAS.


Os quatorzes questionamentos e as considerações finais sobre os impactos ambientais que foram constatados após a finalização deste Parecer Técnico podem ser encontrados neste link: http://www.slideshare.net/ECOTV/relatrio-final-projeto-anitpolisifc.
Para finalizar o Parecer, como ultimo parágrafo das considerações, o Comitê mostrou-se contra a implantação da Fosfateira:
"Por fim, com base no Princípio da Precaução aplicado às questões ambientais e considerando as informações recebidas, ciência e tecnologia disponíveis, análises minuciosas realizadas pela equipe técnica que subscreve este documento, e pelos fundamentos expostos neste parecer técnico, conclui-se pela inviabilidade técnica ambiental do empreendimento de mineração do fosfato nas condições atuais do EIA/RIMA, portanto, de parecer contrário à implantação do Projeto Anitápolis pelas razões acima fundamentadas. Esse é o nosso Parecer"



Fig. 4 - Maquete da  Indústria de Fosfatados Catarinense Ltda. [IFC]., que será impalnata em Anitápolis, SC.



Referências:

Comitê da Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar; UNISUL e UFSC. Parecer Técnico sobre a Fosfateira de Anitápolis. Tubarão, 2009.

SÉRGIO, F. C. Representante da prefeitura de Imbituba participa de audiência pública sobre Projeto Anitápolis. Disponível em http://www.blogpenadigital.com/2010/05/representante-da-prefeitura-de-imbituba.html. Acesso em 31 out. 2012.